sexta-feira, 17 de abril de 2009

O basquete do Corínthians II


Volto a escrever sobre os inesquecíveis tempos do basquete. Arcal Corínthians, Pony Corínthians, Pitt Corínthians, enfim Corínthians.
Entre os comentários que recebi , algumas lembranças foram importantes:
O Marc Brown realmente era muito bom jogador, como quase todos os americanos que vinham.
Teve o Clifford Morgan, que veio pra subsituir o Parker, mas foi uma excessão, e embora americano e negão, não jogou grande coisa.
O Macetão era feio demais. O Shrek escrito, mas era gente finíssima.
O Paulinho Sheid que chutava bem demais dos 3 pontos. Tinha um rosto no nariz, mas conseguia pegar mulher mesmo com o avantajado osso nasal.

Eu tinha 15 anos e estava em fase inicial de azaração das gurias. Íamos entre três ou quatro amigos para o jogo e circulávamos o tempo todo pela parte superior do anel de arquibancadas. Não sentávamos nunca, apenas fazíamos algumas paradas estratégicas para ver momentos do jogo e focar as gajas. Não pegávamos nada lá dentro, já que elas eram muito novinhas e sempre tinha um amigo do pai delas por perto, Mas aproveitávamos a empolgação geral e "largávamos uns currículos" que às vezes rendiam "entrevista" na saída. Até nisso o basquete contribuía.

A Tô Tri era demais! Aquilo foi o início da carreira do Solismar como animador de torcida. Depois ele incursionou em outros ramos, mas jamais abandonou a paixão por torcer. Você entrava no Arnão e logo escutava o canto, a batida de pés, a ôla. Era uma energia impressionante. O Ginásio literalmente fazia o adversário tremer. Durante toda a campanha do título de 94 foram 10 partidas em casa:
8/2 – terça-feira - Pitt/Corinthians 107x95 Vasco da Gama
20/2 – domingo - Pitt/Corinthians 109x91 Report/Suzano
27/2 - domingo- Pitt/Corinthians 104x91 Rio Claro/Blue Life
17/3 - quinta - Pitt/Corinthians 107x82 Ipê/Banespa
27/3 - domingo- Pitt/Corinthians 102x93 Minas T.C./Sollo
29/3 - ter - Pitt/Corinthians 94x82 Rio Claro/Blue Life
8/4 - sex - Pitt/Corinthians 96x92 Palmeiras/Parmalat
15/4 - sex - Pitt/Corinthians 90x87 Sabesp/Franca (Tesourinha)
16/4 - sab - Pitt/Corinthians 99x98 Sabesp/Franca (Tesourinha)
17/4 - domingo- Pitt/Corinthians 99x92 Sabesp/Franca (Tesourinha)
Sim. Ganhamos todas!

Ao conquistar o título da 5ª Liga Nacional Masculina de Basquete, o Corinthians quebrou a hegemonia do basquete paulista. Até aquele momento, o título nacional masculino de basquete de clubes já havia sido disputado em 26 oportunidades (4 da Liga e outras 22 sob a denominação de Taça Brasil), com apenas duas vitórias de times de fora de São Paulo. O Botafogo, do Rio, que ganhou a competição em 1967 e o Vila Nova, de Goiânia, que venceu em 1973.

No jogo final, havia 8.000 pessoas no Tesourinha. O Satierf ganhou o primeiro tempo (55 a 45), bem posicionado na defesa e evitando precipitação nos arremessos quando descia para o ataque. O Corinthians reagiu e empatou em 72 pontos. Faltando 5min05s para o final, com o Corinthians em vantagem por 82 a 80, o técnico Hélio Rubens reclamou dos juízes e acabou punido com falta técnica. Brent acertou os três lances livres (85 a 80) e, na reposição da bola em jogo, o Corínthians ampliou a diferença para 87 a 80. Seguimos na frente até o final (99 a 92).
Os campeões foram:-Marcionílio, Sílvio Conceicão, João Batista, Almir, Edu Gato, Brent Merrit, Oldair, Alvin Friederick, Cruxen, Magrão, Poll, Joel e Ary Ventura Vidal (técnico).
Os vice-campeões do Satierf - Chuí, Fanta, Isaías, Helinho, Fábio Pira, Demétrius, Winston Morgan, Maury, Clifford Morgan, Wagnão, Rogério, Janjão e Hélio Rubens Garcia (técnico).

Acho perfeita a ideia de uma Festa de 15 anos. Acredito que esse tempo não volta mais e que a única forma de reviver aquilo tudo é refazendo aquele cenário. Os personagens estão todos aí, a Gazeta mostra vários deles com muita vontade de reviver. Um jogo festivo no mesmo palco, o Arnão, certamente lotaria o Ginásio nos faria sentir mais uma vez, algo que sentíamos a cada semana. Acho apenas que o ideal seria estender o convite a todos os que fizeram parte daquela era do basquete e não apenas ao time campeão em 94.

Eu tinha 15 anos quando isso aconteceu. Hoje faz 15 anos.

2 comentários:

Daniel disse...

Ninguém lembrou de citar os cartazes com mulheres nuas que eram utilizados para distrair os adversários no tempo dos jogos no Mauá e o maluco que surgia no Poliesportivo com uma máscara que era uma cabeça de boi, também sempre atrás da tabela do ataque adversário.Hahaha!!!!
Mas o lance da azaração sem dúvida era responsável por um bom percentual do interesse pelos jogos...era florido demais aquele ginásio!!!!!!

Júlio Cunha Neto disse...

Só os resultados citados pelo amigo Charles em seu post já evidenciam a qualidade impressionante daquele timaço! A pontuação nunca baixava de 90 e não era raro ultrapassar os 100 pontos!
Ô, saudade...