
Vez por outra, em conversas com amigos que nasceram e cresceram em Santa Cruz do Sul, como eu, relembramos fatos de nossa infância, adolescência e juventude. Coisas que fazíamos, como eram as ruas e os lugares que freqüentávamos, muitos deles que só existem em nossa memória. Então resolvi escrever um texto sobre algumas coisas que lembro daqueles tempos. Minhas lembranças mais antigas iniciam em meados dos anos 80, mais ou menos na transição da Fenaf para a Oktober. Certamente você lembrará de fatos e coisas que não me ocorreram nesse momento, remeta um comentário e ajude-me a relembrar.
Para estabelecer uma lógica nesse flashback, vou refazer o caminho que percorria quando ia da minha casa, próximo ao Goiás, até o centro.
Para quem viesse do centro, eu morava abaixo do Goiás e antes de chegar no Lambert. Quando eu subia para o centro, nem pegava o Oliveira, que era o TC Catedral da época, e ia a pezito mesmo. Subia pela Julio e na esquina do Goiás já tinha a Floricultura e a Afubra, que era bem menor. Tinha também o Bar América, que era onde a gurizada comprava rojões, bombinhas e trax. Na quadra seguinte, onde hoje é o depósito da Afubra, ficava a Xalingo e um pouco depois o Supermercado Excelsior. Joguei muita bola no campinho do Excelsior. Do outro lado da rua, ficava o terreno da Estação Férrea, que nem se compara com o que é hoje. Sem infraestrutura alguma, era um imenso terreno baldio que só servia de depósito de lixo e de alocação para circos e parques. Tinha um muro que começava na Júlio, dobrava na Ernesto Alves e ia até a frente da Vemasa. Tenho uma boa lembrança visual dali e lembro que o trilho de trem avançava por todo o terreno e passava por onde hoje está a pista de skate.
A quadra seguinte permanece praticamente como está, mas preciso falar da Blecaute, loja que marcou muito a gurizada da época. Tinha roupas da OP, Pychulin, HS Hotstick, Lighting Bolt, entre outras. Tinha também tênis Kick, ideais para os skatistas. Mas os preços eram altos e eu não tinha grana, então olhava, olhava e não comprava nada. Chegava tentando agradar, folheava uma Fluir enauqnto tentava conversar com o Dedé e o Negão. Em alguns segundos o “Dedé da Blecaute” dava uma pressão para tentar te vender alguma coisinha. Nessa hora normalmente eu partia, mas de vez em quando guardava uns troquinhos e levava um decalque ou um rolinho de fita teipe, que o Dedé comprava em rolo e vendia em metro, enrolado em palitos de picolé. Hoje a loja dele é a La Santa, no shopping.
Subindo mais um pouquinho tinha a Loja Imcosul, onde atualmente está a Câmara de Vereadores. Alguns anos após fechar essa loja, criou-se uma expectativa na cidade pela inauguração da Zeppellin. Era uma boate enorme e muito diferente de todas as opções que tínhamos em Santa Cruz. Tenho boas lembranças dali entre as quais um show do Paralamas, na metade da década de 90. Lembrando das boates, quase posso ouvir a introdução da música Big in Japan, do Alphaville, bombando nas caixas de som. Tãn Tãn tãnãnãnãm!!! Bem a cara da Zeppellin.
Subindo mais um pouco, antes da esquina tinha a Iria Calçados, que permanece ali. Logo acima, a Líder Calçados, que

era forte no mercado. Era uma loja bem grande onde eu comprava meus Kichutes (foto). Depois a loja foi encolhendo até sumir. No outro lado da rua, onde agora está a Loja SIM, ficava a Rodoviária. Pior do que aquela ali só a de Rio Pardo. Tenho poucas recordações de quando era ali, mas vagamente me lembro. Depois foi bingo, restaurante...
Passando a Tenente Coronel Brito, efetivamente você estava no centro. Daí tinha a Casa das Noivas, da Ivonne Tollotti, a Locadora San Marino e o Cartório Eleitoral. Lembro da construção da Galeria Farah e das primeiras "bandas" no elevador dali. Naquele tempo, chamávamos a Marechal Floriano de PRINCIPAL. Na esquina da Principal com a Júlio, ficava a Ferragens Mailender. Era uma loja bem antiga, com piso de assoalho e lembro de ir lá para comprar chumbinho de arminha de pressão, numa seção que ficava bem no fundo da loja. Daquele cruzamento, só o Mailender não resistiu. A Casa de Cultura continua ali e igualzinha, o Quiosque evoluiu com o tempo e o Pingo Doce ficou parado. O Mailender e o Zimmer Goettert eram da mesma família, mas o Zimmer ficava lá na esquina da Fernando Abottttttt com a Principa

l, onde atualmente é a Certel. ANa diagonal da Manlec, que também já era.
Voltando em direção ao centro, na esquina seguinte estava o Edifício da JH Santos (foto). O nome do prédio era devido à Loja JH Santos, que fechou também. Fui muito assíduo ao elevador daquele prédio, já que era o mais alto com elevador acessível no centro. Já existia o Dom Castor e o Guarujá, mas eram prédios residenciais e eu não conhecia ninguém lá. Eu subia até o último andar do JH e ficava lá de bobeira, olhando o túnel verde e apertando os botões do elevador. Naqueles tempos elevador era motivo de diversão para a gurizada.
Na quadra seguinte, a rua está muito diferente. Já falei do Mailender, e ao lado ficava as Lojas Pernambucanas e acho que a Arapuã. Do outro lado, onde hoje é a Herval, ficava uma loja que era uma potência, A Arcal. Ali tinha tudo o que se podia imaginar em matéria de vestuário, especialmente material esportivo. Japonas, abrigos, polãinas, carpins e meias soquete. Impossível esquecer o PEGA-PEGA da Arcal, que ficava num corredor lateral com acesso interno pela Loja. Você descia um corredor à direita e ia quase até porão. Chegava numa espécie de subloja com produtos de ponta-de-estoque que apresentavam pequenas imperfeições. Vendiam quase as mesmas coisas que na Arcal de verdade, mas você precisava ter mais atenção ao escolher os produtos, já que havia algumas aberrações como camisetas com uma manga curta e outra longa, calças com 3 pernas e tênis deformados. Mas a maioria das coisas tinha apenas pequenos problemas de costura e fiz boas compras ali.
Ainda nesse lado da rua, alguns anos depois teve o Bagdad Café, onde o Docinho foi apelidado assim por um "frutinha". Na outra esquina ficava as Lojas Waechter. Era uma loja enorme que ia desde ali onde é a Farmácia Econômica até a Marlene Calçados. No segundo piso da Loja tinha um barzinho que vendia sanduíches ótimos. Jamais me esquecerei do sistema de som da loja que tinha uma moça com voz parecida com a de uma aeromoça melosa que falava mais ou menos assim:
- Charles, favor comparecer no Crediário! Charles, crediário!
- Charles, favor atender o telefone! Charles, telefone!
Do outro lado da rua já havia a Loja do Esportista, maior e diferente do que é agora. Não existia a Eni, mas não recordo o que tinha naquele espaço. Também não lembro desde quando a Dorinho está ali, mas lembro que um dia não esteve.
Na outra esquina, uma outra loja tão grande quanto a Waechter. Em letras enormes e emendadas estava escrito: CASA KIRST. Era meio parecida com o Waechter, mas tinha mais opções em aviamentos, tecidos, botões, etc. Nas outras duas esquinas havia a Drogaria Santa Cruz, que está ali desde que era Pharmácia, e o “Keller Niedesberg, a Esquina da Boa compra”.
Passando a Casa Kirst, chegávamos à melhor loja de brinquedos da época, a Caçula. Nessa loja tinha um chafariz embaixo da escada para onde a piazada levava os pais para seduzi-los a comprar seus presentes. Autoramas, ferroramas, Ataris e cartuchos de Atari dominavam as listas dos

mais vendidos.
No outro lado da rua, onde atualmente é o Nacional, ficava a HM, Hermes Macedo. Uma loja que começava (ou terminava) na Principal e ia até a Coronel Brito, assim como o prédio é hoje. Saindo um pouco do centro, mas aproveitando o gancho do Nacional, registro que o primeiro Super Nacional que lembro era lá nos fundos da Rodoviária, onde agora é a Lebes. Na frente da Rodoviária, certa vez foi projetado o Oyster Shopping Center que seria moderníssimo, mas não saiu da planta e a realidade nos trouxe o minúsculo e nada moderno Shopping Marco do Imigrante.
Voltando ao centro, não há como não citar o Van Gogh. Embora seja mais contemporâneo, com cerca de 13 ou 14 anos, foi ali que conheci minha esposa, embora o primeiro beijo tenha sido no B'52. Jamais esquecerei também que foi ali que assisti o segundo jogo da decisão da Libertadores de 1995. O primeiro jogo daquela final assisti de pé, na arquibancada do Estádio Olímpico. Felipão, Paulo Nunes e Jardel, que saudade!!!
Já trouxe tanta memória que vou deixar espaço para que você escreva também. Tem tanta coisa ainda...Cine Astro, Panlidisc, Cine Victória. Não cheguei a pegar a fase boa do Posto Tapuia, mas certamente alguém aí vai poder comentar sobre isso também. Enfim, muitos outros fatos e lugares permanecem em nossa memória e quero que você também envie seu comentário sobre aquela e outras épocas. Se tiver foto, envie por e-mail que publico no Blog.