segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pescaria no Brejo

Sexta-feira passada, conforme relatado aqui neste Blog, eu e mais dois amigos rumamos para uma pescaria em João Rodrigues, interior de Ramiz Galvão, redondezas de Rio Pardo. Quem vai a pescarias, embora busque sossego no meio do mato, está ciente de que pode enfrentar alguma indiada até chegar à beira d´água. Ocorre que o grau de selvageria do brejo em que nos embrenhamos, faria de qualquer indiada um simples lazer. A jornada para a Lagoa do Brejo é coisa para HOMEM DAS CAVERNAS.

Fomos "na pilha" de um tio meu que mora em João Rodrigues e que normalmente faz aquele caminho de pés descalços e dando risada. Nós, pescadores urbanos, não tínhamos noção do que encontraríamos e levamos tralhas demais para passar apenas uma noite e voltar na manhã seguinte. Queríamos estar preparados então incluímos na bagagem cobertores, colchonetes, duas barracas, cervejas, canhas e limões, carnes, lanternas, esperas para traíras, varas de pescar, roupas e calçados sobressalentes, lonas, facas etc. Estávamos entre 4 e calculo que cada um levava uns 80 kg distribuídos nas costas, braços e sacolas penduradas. O trajeto todo era de cerca de 5 km sendo que 2 eram em mata fechada.

Antes de saírmos, o Marcelo, meu tio, nativo do local, disse-nos que havia apenas uma pinguela para atravessar. Na prática descobrimos que eram 4, uma das quais tinha uma espécie de pau de sebo em que passávamos com a certeza de que ao menos uma atolada de pé no lodo teríamos que dar. Na pinguela seguinte, não havia nem por onde atravessar, mas Marcelo, tal qual o homem das cavernas, atolou-se no lodo e acomodou uma árvore em seu ombro para colocá-la entre as duas margens do riacho e possibilitar-nos a improvisada travessia. Que perigo!!! Ao lado uma noção do caminho percorrido, embora eu nem tenha certeza de que foi exatamente esse o trajeto.

Levamos umas duas horas para chegar até ali, mas já estávamos perto. Foram mais uns 20 minutos no meio do mato fechado e estávamos na Lagoa do Brejo. Daí foi só baixar acampamento, botar a lenha para assar a costelinha e começar a distribuir as esperas para traíra. Deu peixe, não muito, mas deu. Traíras, jundiás e muçuns, basicamente. A carne estava ótima e, no geral, tudo esteve satisfatório entra uma caminhada e a outra. A do retorno, obviamente foi a mais judiada devido ao cansaço acumulado pela ida até o brejo e a ressaca da noite anterior. Mas chegamos sãos e salvos antes do meio-dia de sábado de volta a Santa Cruz.

A registrar o impressionante o chucrismo do meu tio. Disse-nos que, quando vai para o Brejo, normalmente leva só as linhas de pesca e um saco de matéria, para dormir. Corda? Casca de árvore. No caminho, ele de pés descalços tirava os espinhos que cravavam nos pés sem parar de caminhar. Bonito de ver. Mostrou-nos uma casinha parecida com uma parada de ônibus, com porta. Fica bem na beira do Jacuí e trata-se do motel para onde a gurizada nativa leva as gurias que se agradam nos bailes. O lugar é um horror, mas a vista para o Rio é uma beleza.

É mais uma para entrar no rol das inesquecíveis. Essa provavelmente entra também para a lista das irrepetíveis.

3 comentários:

Elenor disse...

Parabéns. Só assim não perdemos a memória dos índios ancestrais!

Gustavo disse...

caco de caminho q vcs fizeram mais deve ter sido bem divertido carregar os negocio de 80 kilo nas costas

Unknown disse...

Esse caminho aí deve ter sido a volta, pela quantidade de curva que foi feito só estando meio ruim do trago. hahahah. Bom, às vezes algumas indiadas até são boas para quebrar rotina.