segunda-feira, 11 de maio de 2009

Xerife de cadeia

Abaixo, repasso apenas um resumo do que escreveu o jornalista Augusto Nunes na Revista Veja deste fim-de-semana. Se preferir ler o texto na íntegra, clique no título.

A bancada dos sérgios moraes avisa que Pelé acertou no ângulo
8 de maio de 2009

"...O que surpreende é a contemplação do que anda acontecendo em cidades plantadas no Brasil moderno. Santa Cruz do Sul, por exemplo. Fundada por imigrantes alemães no coração do Rio Grande do Sul, a 150 quilômetros de Porto Alegre, tem boas escolas, aeroporto, até um autódromo. A cada ano, a maioria dos habitantes, mais de 120 mil, diverte-se na maior Oktoberfest do interior gaúcho. A cada dois anos, faz o que manda o deputado Sérgio Moraes.

Caso se candidatasse a orador da turma do manicômio, até os doidos de pedra achariam insensato eleger alguém que se lixa para a opinião pública. É muita insensatez. Até os napoleões de hospício negariam o voto a quem trata seus partidários como perfeitos idiotas. É muita maluquice. Até os que babam na gravata compreenderiam que o prontuário de Sérgio Moraes só o credencia a candidatar-se a xerife de cadeia. O histórico resumido em junho de 2008 pelo jornalista Alexandre Oltramari, em junho de 2008, na edição 2066 de Veja, é mais que suficiente para convencer qualquer cérebro com mais de três neurônios de que nem o Congresso brasileiro merece alguém assim.

A maioria do eleitorado de Santa Cruz do Sul discorda. Antes de despachá-lo para a Câmara, elegeu-o vereador, prefeito (duas vezes) e deputado estadual. A prefeita é sua mulher, Kelly, companheira de lutas desde os tempos em que lucravam com um o aluguel de garotas de programa numa casa de prostituição disfarçada de ”clube noturno”. Esses e outros empreendimentos fizeram do deputado um freguês da Justiça. A freguesia eleitoral acha isso tudo irrelevante.

“Entro num ginásio e sou aplaudido”, gabou-se Moraes numa entrevista do Estadão. “São 27 anos com mandato. E com um detalhe: escolhendo dentro de casa”. O monarca municipal simulou uma sessão deliberativa doméstica em que define o próprio destino, o da mulher prefeita, o do filho vereador e o da cidade: ”Escuta, o que tu vai ser agora? Ah, quero ser prefeito. Ah, então tá. Então eu vou ser deputado federal. Quem sabe tu não sai a deputado estadual? Tu sai a vereador”. A fórmula lhe parece irretocável: ”A gente decide dentro de casa e só informa a população. E em todas a gente ganha. Lá, eu ganho o que eu quero”.

“Lá” quer dizer Santa Cruz do Sul. Para redimir-se dos pecados recorrentes, basta que a cidade transforme a próxima eleição no instrumento da vingança merecidíssima. Se mantiver no cargo o presidente do clube dos cafajestes, se ratificar o voto de obediência ao clã, ficará claro que a manada majoritária merece o sinuelo debochado. Quem não merece uma cidade assim são os habitantes ajuizados e o Rio Grande do Sul moderno. Quem não merece um Congresso infestado de sérgios moraes é o Brasil que presta."

3 comentários:

Marcos disse...

Uma cidade ou melhor, um povo, com tantas qualidades para serem motivos da admirição do estado e do país, ser lembrado desta forma realmente é constrangedor!!!Mas...

Unknown disse...

Eu não gosto de falar de política, pois, tanto faz o que acontece, nada muda, tudo se dá um jeito ou "se esquece". Mas o pior é ter o nome da cidade sendo mostrado da pior maneira. Lamentável.

Anônimo disse...

São os eleitores quem elegem esses caras que se lixam pra opinião pública, que sonegam, que desviam, que tem putero, cassino, castelo e por ai vai.
Acho que o ilustre deputado expôs negativamente Sta Cruz.
O que na próxima eleição saberemos é que: se a opnião pública também esta se lixando pra opinião pública e fica tudo na mesma: eles mamando e nós ralando.

Abraço
Goga