sexta-feira, 15 de maio de 2009

Depois da Fenaf



Vez por outra, em conversas com amigos que nasceram e cresceram em Santa Cruz do Sul, como eu, relembramos fatos de nossa infância, adolescência e juventude. Coisas que fazíamos, como eram as ruas e os lugares que freqüentávamos, muitos deles que só existem em nossa memória. Então resolvi escrever um texto sobre algumas coisas que lembro daqueles tempos. Minhas lembranças mais antigas iniciam em meados dos anos 80, mais ou menos na transição da Fenaf para a Oktober. Certamente você lembrará de fatos e coisas que não me ocorreram nesse momento, remeta um comentário e ajude-me a relembrar.
Para estabelecer uma lógica nesse flashback, vou refazer o caminho que percorria quando ia da minha casa, próximo ao Goiás, até o centro.
Para quem viesse do centro, eu morava abaixo do Goiás e antes de chegar no Lambert. Quando eu subia para o centro, nem pegava o Oliveira, que era o TC Catedral da época, e ia a pezito mesmo. Subia pela Julio e na esquina do Goiás já tinha a Floricultura e a Afubra, que era bem menor. Tinha também o Bar América, que era onde a gurizada comprava rojões, bombinhas e trax. Na quadra seguinte, onde hoje é o depósito da Afubra, ficava a Xalingo e um pouco depois o Supermercado Excelsior. Joguei muita bola no campinho do Excelsior. Do outro lado da rua, ficava o terreno da Estação Férrea, que nem se compara com o que é hoje. Sem infraestrutura alguma, era um imenso terreno baldio que só servia de depósito de lixo e de alocação para circos e parques. Tinha um muro que começava na Júlio, dobrava na Ernesto Alves e ia até a frente da Vemasa. Tenho uma boa lembrança visual dali e lembro que o trilho de trem avançava por todo o terreno e passava por onde hoje está a pista de skate.
A quadra seguinte permanece praticamente como está, mas preciso falar da Blecaute, loja que marcou muito a gurizada da época. Tinha roupas da OP, Pychulin, HS Hotstick, Lighting Bolt, entre outras. Tinha também tênis Kick, ideais para os skatistas. Mas os preços eram altos e eu não tinha grana, então olhava, olhava e não comprava nada. Chegava tentando agradar, folheava uma Fluir enauqnto tentava conversar com o Dedé e o Negão. Em alguns segundos o “Dedé da Blecaute” dava uma pressão para tentar te vender alguma coisinha. Nessa hora normalmente eu partia, mas de vez em quando guardava uns troquinhos e levava um decalque ou um rolinho de fita teipe, que o Dedé comprava em rolo e vendia em metro, enrolado em palitos de picolé. Hoje a loja dele é a La Santa, no shopping.
Subindo mais um pouquinho tinha a Loja Imcosul, onde atualmente está a Câmara de Vereadores. Alguns anos após fechar essa loja, criou-se uma expectativa na cidade pela inauguração da Zeppellin. Era uma boate enorme e muito diferente de todas as opções que tínhamos em Santa Cruz. Tenho boas lembranças dali entre as quais um show do Paralamas, na metade da década de 90. Lembrando das boates, quase posso ouvir a introdução da música Big in Japan, do Alphaville, bombando nas caixas de som. Tãn Tãn tãnãnãnãm!!! Bem a cara da Zeppellin.
Subindo mais um pouco, antes da esquina tinha a Iria Calçados, que permanece ali. Logo acima, a Líder Calçados, que era forte no mercado. Era uma loja bem grande onde eu comprava meus Kichutes (foto). Depois a loja foi encolhendo até sumir. No outro lado da rua, onde agora está a Loja SIM, ficava a Rodoviária. Pior do que aquela ali só a de Rio Pardo. Tenho poucas recordações de quando era ali, mas vagamente me lembro. Depois foi bingo, restaurante...
Passando a Tenente Coronel Brito, efetivamente você estava no centro. Daí tinha a Casa das Noivas, da Ivonne Tollotti, a Locadora San Marino e o Cartório Eleitoral. Lembro da construção da Galeria Farah e das primeiras "bandas" no elevador dali. Naquele tempo, chamávamos a Marechal Floriano de PRINCIPAL. Na esquina da Principal com a Júlio, ficava a Ferragens Mailender. Era uma loja bem antiga, com piso de assoalho e lembro de ir lá para comprar chumbinho de arminha de pressão, numa seção que ficava bem no fundo da loja. Daquele cruzamento, só o Mailender não resistiu. A Casa de Cultura continua ali e igualzinha, o Quiosque evoluiu com o tempo e o Pingo Doce ficou parado. O Mailender e o Zimmer Goettert eram da mesma família, mas o Zimmer ficava lá na esquina da Fernando Abottttttt com a Principal, onde atualmente é a Certel. ANa diagonal da Manlec, que também já era.
Voltando em direção ao centro, na esquina seguinte estava o Edifício da JH Santos (foto). O nome do prédio era devido à Loja JH Santos, que fechou também. Fui muito assíduo ao elevador daquele prédio, já que era o mais alto com elevador acessível no centro. Já existia o Dom Castor e o Guarujá, mas eram prédios residenciais e eu não conhecia ninguém lá. Eu subia até o último andar do JH e ficava lá de bobeira, olhando o túnel verde e apertando os botões do elevador. Naqueles tempos elevador era motivo de diversão para a gurizada.
Na quadra seguinte, a rua está muito diferente. Já falei do Mailender, e ao lado ficava as Lojas Pernambucanas e acho que a Arapuã. Do outro lado, onde hoje é a Herval, ficava uma loja que era uma potência, A Arcal. Ali tinha tudo o que se podia imaginar em matéria de vestuário, especialmente material esportivo. Japonas, abrigos, polãinas, carpins e meias soquete. Impossível esquecer o PEGA-PEGA da Arcal, que ficava num corredor lateral com acesso interno pela Loja. Você descia um corredor à direita e ia quase até porão. Chegava numa espécie de subloja com produtos de ponta-de-estoque que apresentavam pequenas imperfeições. Vendiam quase as mesmas coisas que na Arcal de verdade, mas você precisava ter mais atenção ao escolher os produtos, já que havia algumas aberrações como camisetas com uma manga curta e outra longa, calças com 3 pernas e tênis deformados. Mas a maioria das coisas tinha apenas pequenos problemas de costura e fiz boas compras ali.
Ainda nesse lado da rua, alguns anos depois teve o Bagdad Café, onde o Docinho foi apelidado assim por um "frutinha". Na outra esquina ficava as Lojas Waechter. Era uma loja enorme que ia desde ali onde é a Farmácia Econômica até a Marlene Calçados. No segundo piso da Loja tinha um barzinho que vendia sanduíches ótimos. Jamais me esquecerei do sistema de som da loja que tinha uma moça com voz parecida com a de uma aeromoça melosa que falava mais ou menos assim:
- Charles, favor comparecer no Crediário! Charles, crediário!
- Charles, favor atender o telefone! Charles, telefone!
Do outro lado da rua já havia a Loja do Esportista, maior e diferente do que é agora. Não existia a Eni, mas não recordo o que tinha naquele espaço. Também não lembro desde quando a Dorinho está ali, mas lembro que um dia não esteve.
Na outra esquina, uma outra loja tão grande quanto a Waechter. Em letras enormes e emendadas estava escrito: CASA KIRST. Era meio parecida com o Waechter, mas tinha mais opções em aviamentos, tecidos, botões, etc. Nas outras duas esquinas havia a Drogaria Santa Cruz, que está ali desde que era Pharmácia, e o “Keller Niedesberg, a Esquina da Boa compra”.
Passando a Casa Kirst, chegávamos à melhor loja de brinquedos da época, a Caçula. Nessa loja tinha um chafariz embaixo da escada para onde a piazada levava os pais para seduzi-los a comprar seus presentes. Autoramas, ferroramas, Ataris e cartuchos de Atari dominavam as listas dos mais vendidos.
No outro lado da rua, onde atualmente é o Nacional, ficava a HM, Hermes Macedo. Uma loja que começava (ou terminava) na Principal e ia até a Coronel Brito, assim como o prédio é hoje. Saindo um pouco do centro, mas aproveitando o gancho do Nacional, registro que o primeiro Super Nacional que lembro era lá nos fundos da Rodoviária, onde agora é a Lebes. Na frente da Rodoviária, certa vez foi projetado o Oyster Shopping Center que seria moderníssimo, mas não saiu da planta e a realidade nos trouxe o minúsculo e nada moderno Shopping Marco do Imigrante.
Voltando ao centro, não há como não citar o Van Gogh. Embora seja mais contemporâneo, com cerca de 13 ou 14 anos, foi ali que conheci minha esposa, embora o primeiro beijo tenha sido no B'52. Jamais esquecerei também que foi ali que assisti o segundo jogo da decisão da Libertadores de 1995. O primeiro jogo daquela final assisti de pé, na arquibancada do Estádio Olímpico. Felipão, Paulo Nunes e Jardel, que saudade!!!
Já trouxe tanta memória que vou deixar espaço para que você escreva também. Tem tanta coisa ainda...Cine Astro, Panlidisc, Cine Victória. Não cheguei a pegar a fase boa do Posto Tapuia, mas certamente alguém aí vai poder comentar sobre isso também. Enfim, muitos outros fatos e lugares permanecem em nossa memória e quero que você também envie seu comentário sobre aquela e outras épocas. Se tiver foto, envie por e-mail que publico no Blog.

9 comentários:

Guilherme disse...

Faltou dar uma passadinha na Itasul para encomendar uma seleção gravada em fita Basf cromo 90 com “aquela música do filme ‘curtindo a vida adoidado’” (save Ferris!).
E o “centro comercial” Frihauf? Não deu vontade de levar um chiclete Ploc “Hortleuva” com “tatuagem”, hein, hein???
Passa mais tarde lá em casa pra gente fazer uns “decalques” com recortes da Fluir e papel contact. Depois podemos jogar Odyssey (consegui emprestado o jogo do Didi). Ah, chegaram umas “rodinhas sabão” “muito massa” lá na Blecaute...
Vai ter taco hoje? O Henrique já está fazendo um com 50 cm de largura...
Obrigado pela viagem!

Marcos disse...

Eu já sou do tempo que se comprava os kichutes no mercado, comprei vários no Mina de Ouro, esq. da Assis Brasil com a Senador, mas podia ser tb. em um dos diversos Ebert's ou Lambert's espalhados pela cidade, a embalagem utilizada pelos mercados não eram sacolas plásticas, eram aqueles saquinhos de papelão que, qdo. dava o azar de pegar um saquinho de leite MI-MI furado, e quase sempre dava, mesmo enrolado em jornal arrebentava o papelão e era aquela dificuldade p/ chegar até em casa.
No ramo de artigos esportivos não podemos esquecer a Escore, que fabricava bolas e chuteiras entre outros artigos em couro, outra fábrica de artigos em couro e por muito tempo a mais completa loja de artigos esportivos da cidade e da região foi a Loja Hoppe na esq. da Ramiro com a Venâncio, tinha tudo, desde ping-pong até pesca e náutica, no mesmo cruzamento que mais tarde teve a Boate Stillu'S Night club, que foi a Big House das antigas.
Faço uma ressalva qto. a existência da Loja do Esportista, pois no tempo da Arcal ainda não existia a loja, pois esta é remanescente da Arcal, qdo. fechou a Arcal abriu a L.do E. um pouco abaixo de onde fica hj., tb. tinha as Lojas Geiss ali por aquelas bandas.
A primeira Surf Shop especializada foi realmente a Blecaute, mas tb. encontrava-se "roupas de marca" na Magazine Faisal, na Helfer-Machado e na Lá em Casa, que ficava justamente onde é a Dorinho hj., e fazia parte do roteiro da galera que circulava pelo centro devido ao mural de recados que era ferramenta de azaração da gurizada...muito bacana, no mesmo estilo ainda surgiu a Maresia na Galeria Farah.
Ao lado da Lá em Casa, onde hj. tem uma loja de tintas, tinha o Teonilo Weiss, que era um bazar de presentes e outras quinquilharias, entre eles uns rojões bem maiores que os do Bar América, era praticamente uma dinamite...fazia um estrago!!!
Comprar Starfix na Panlidisc, ir de bike tomar um banho de cascata na "Chácara G", hoje Motel Cascata...bah...é tanta coisa que vem na mente...!!!!Era massa!!!

Unknown disse...

Muito bom o texto e as recordações. Lembro de quase tudo isso aí e vou tentar puxar da memória mais algumas coisas para poder contribuir também.

Charles disse...

A fita BASF 90 Chromo era ótima mesmo. Tinha as JVC, que competiam no mercado. Havia também as fitas específicas para fazer a limpeza do seu tocafitas. Você adicionava um líquido mágico que limpava o cabeçote do aparelho.
Nós tínhamos um microsystem em que você apertava o play+fw e ele rodava e parava exatamente entre uma música e a próxima. Apesar dessa grande tecnologia para a época, ele não era autoreverse.
Lembrei de uma concorrente fortíssima da Itasul, a BOCA DO SOM. Em volta de toda a porta tinha uma boca enorme, por onde você entrava. Ficava do lado da Casa das Noivas.
Boa a lembrança dos saquinhos de papelão. Eram ecologicamente mais corretos que as modernas sacolinhas de plástico, e nós nem sabíamos.
Os skates tinhas como acessórios os puxadores, nas laterais, a biqueira, o pivô (batata) e o subidor de calçada. Havia protetor de truck para vender, mas embaixo de umas cadeiras que eram de plástico com pés de ferro, havia uns protetores que eram perfeitamente compatíveis com os trucks. Não sobrava cadeira com os protetores.
Lembrei também de mais uma marca de skatista, a Pandemônio.
Aos poucos vamos lembrando de outras coisas...

Marcia disse...

Minha nossa, abriram o baú do Matusalém....rsss
Atire a primeira pedra quem não passou por cima das grades na calçada no antigo Cine Victória só pra sentir o vento quente que saía debaixo de dentro???
Na esquina do cinema tinha Tabacaria Ouvidor, onde comprávamos bala de tripinha, com carinhas de bichinhos. Eu adorava bala-chiclé (BigBol e GrapeBol....delícia!).
Lá eu também comprada as figurinhas da Sara Kay (Amar é...) e tenho a coleção até hoje.
Alguém falou da loja do Teonilo Weiss, nos anos 70, a curtição do Natal era admirar a vitrine da loja, com roda gigante de brinquedo e um papai noel que subia e descia uma escadinha, o máximo! Na vitrine da Caçula funcionava um trenzinho durante o Natal.
E o desfile de 7 de Setembro? Que emoção! Desfilar de eslaque preto, sapato de verniz e jaqueta vermelha do colégio. Ninguém errava a marcha e a gente desfilava desde a esquina da Senador descendo a Floriano, até o monumento do Imigrante e achava pouco, nem cansava....
Caraaaaaaaca!

Guilherme disse...

Cara, aquele seu mircrosystem era muito legal mesmo!!! Eu sempre ficava impressionado...
Alguém se lembra que dentro da Caçula havia um chafariz que fazia subir com um jato d’água uma bolinha de pingue-pongue?? O logotipo da loja, se não estou enganado, era uma espécie de centopéia verde. Era lá que se podia ir namorar os, na época, caríssimos brinquedo “estrela” (como o “aquaplay”, por exemplo).

Ione Maculan disse...

Que legal voltar no tempo! Já eu nunca paro de dançar no mesmo prédio da cidade... Há muitos anos eu fazia Aeróbica na Academia Corpus, mesmo lugar q alguns anos depois se tornou o Van Gogh, e hoje em dia ainda danço muito no meeesmo lugar, agora Dom King! hehe
... eu também corria pelas "rampas" internas da Arcal, andava de elevador na JH Santos, ia na Blecaute "só olhar" heheh e, ainda torço para ver nessa cidade, ao menos uma, tão esperada, desde aquela época, escada rolante!
Abraço a todos!

Marcos disse...

Ecologicamente corretos tb. eram as garrafinhas de refri retornáveis que eram servidas individualmente nos aniversários da piazada, pois não existiam PET's e as latas eram "raras e caras", além de serem tipo uma lata de azeite.Hahaha!!

Ecologicamente incorreto era o sistema de panfletagem, que ao invés de ser distribuído nas esquinas ou colocado embaixo das portas, o que pelo menos deixa na consciência de cada um o destino a ser dado, era feito por aviões que jogavam sobre a cidade sem o menor discernimento, quem curtia era a gurizada que perseguia tais papéis pátios adentro, mesmo sem utilidade alguma.

Entre as fitas K-7 tb. tinham as TDK.

Entre as coleções tinham as mini garrafas que eram trocadas por tampinhas, assim como os yô-yô's e os disquinhos dos picolés. E falando em picolé... quem não lembra daqueles carrinhos que vendiam sorvetes e picolés na rua?! tinha o Saramilk e o Fredo que me recordo no momento.

E falando de skate... meu primeiro skate foi um Costa Norte comprado na Imcosul. Tinha um "tio" que fabricava trucks e trazia peças de Caxias lá perto do 2001, a marca era Cross Dani, e minha relíquia era um graber da Plancton(o tal puxador lateral) que ganhei do Campeão Brasileiro Sérgio Negão lá na pista da Braskate em Tramandaí.

Lembro do Beto Peças ao lado da Afubra, onde depois foi uma Tabacaria bem em frente do Clube dos Subtenentes e Sargentos.

Tb. lembro do Faccin na rua lateral do Ebert Arroio Grande, era praticamente "uma borracharia melhorada" que tb. vendia peças de bicicleta, principalmente para a galera do bicicross que era a febre do momento, afinal até uma pista foi construída.

Gruendling, Sudan, Motosan...minha nossa...tô véio!!!!KKKKKK

Suzy.T disse...

Nossa senhora!! ...que viagem!!
Adoreiiii!!
Também adorava aquela chamada da loja do meu pai!!!
Lembro muito bem de tudo isso!!
Abraços