terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Seleção do Mano

Normalmente uma equipe em formação demora um pouco para se entrosar, para ter naturalidade e mostrar seu futebol. Especialmente se do outro lado estiver uma equipe já formada, entrosada e jogando em sua casa. A Seleção Brasileira de Mano Menezes demorou 15 minutos para superar essas dificuldades. Rápido assim.
Mano tem vivido os “melhores momentos” a cada semana. Em 23/07 o convite para assumir a Seleção, momento mais importante de sua vida. Dias depois a coletiva mais importante, a convocação e hoje a partida de maior relevância em sua carreira. À beira do campo, apreensivo e atento aos detalhes, viu seu time ter alguma dificuldade nos primeiros minutos, com alguns erros de passe e dificuldade na sincronia de movimentação do meio para a frente. Depois dos 25 a equipe se equilibrou e tomou conta do jogo.
Com um esquema totalmente diferente do que vinha sendo usado por seu antecessor, Mano vem com o 4-2-1-3 em que os laterais chegam à frente e os meias e atacantes auxiliam na pressão pelo desarme.
Aos poucos os norteamericanos ficaram confusos com a intensa movimentação dos meias e atacantes brasileiros e aos 27 saiu o primeiro. Após jogada pela esquerda, cruzamento perfeito de André Santos e Neymar, de grande estréia, cabeceou no contrapé de Howard, o goleiro do USA.
Pouco depois, jogada rápida pelo meio e passe de Ramires para Pato, que apareceu sozinho no meio da linha de impedimento americana, passou pelo goleiro e marcou o segundo.
O primeiro tempo se foi sem nenhuma defesa do goleiro Victor.
Vale lembrar que a Seleção do EUA tem 15 dos 22 jogadores que estiveram na África e fizeram boa campanha.
No segundo tempo, já aos 40 segundos Pato limpou uma jogada e finalizou de canhota nas redes pelo lado de fora. Quase!
Aos 7, no mesmo lance Pato, Neymar e Robinho tiveram a chance de finalizar, sendo que este último colocou a bola na trave.
Aos 15 Neymar entortou o zagueiro ianque com pedaladas e mandou uma bomba que o goleiro defendeu. Mais uma chance clara de gol.
Várias outras chances no segundo tempo, mas o placar não saiu do 2 a 0.
Jogador a jogador, vamos ao desempenho de cada um:
Victor: Foi exigido apenas aos 40 do segundo tempo, quando defendeu bem com os pés uma cabeçada à queima-roupa. Merecia oportunidade na Seleção há bastante tempo. A iniciativa do Grêmio em renovar com o goleiro logo após ele ter ficado de fora da Copa, parece ter sido um dos poucos acertos da atrapalhada direção gremista. Hoje ele já vale muito mais do que valia há 2 meses.
Daniel Alves, um dos remanescentes da Copa, pareceu tímido no meio da gurizada do Mano. É bom, mas, se bobear, vai sobrar.
David Luiz parece ser um zagueiro tranqüilo e de categoria. Boa impressão em sua estreia.
Thiago Silva com muita qualidade tem imposição física e não comprometeu em nenhum momento. Sem chutão.
André Santos deu cruzamento para o 1º gol e combinou muitas jogadas pelo seu lado. Melhor que o lateral direito e muito superior ao Michel Bastos, dono da posição na África.
Lucas foi o mesmo jogador dos tempos do de Grêmio, mas com mais posicionamento e tranqüilidade. Não tem mais a chegada na frente, até pelo esquema com dois volantes um meia e três atacantes, mas melhorou muito o posicionamento.
Ramires esteve bem. Foi um dos que se escapou na Copa e fez falta quando não jogou, contra a Holanda. Hoje, lesionado, foi substituído por Hernanes no segundo tempo.
Ganso foi bem, mas menos jogador do que é no Santos. Quando pega na bola mostra que é diferenciado. Precisa se aproximar mais das jogadas de ataque. No segundo tempo botou uma bola na trave. Merece seguir com a 10.
Neymar foi o melhor dos atacantes. Com movimentação, troca de passes e finalizações foi quem mais incomodou os atordoados americanos. Fez gol de cabeça e teve várias outras chances de marcar. Bela estréia pela Seleção principal.
Robinho, o capitão, foi o menos eficiente entre os atacantes. Tem moral com todos os treinadores que passaram pela Seleção, mas co Mano, se não mostrar, vai passar.
Pato teve movimentação, fez gol, teve outro anulado e algumas outras chances. Também parece que ainda tem mais a mostrar, mas justificou a escolha de Mano.
Entre os que entraram na equipe, a destacar o pé-frio do meia Éderson. Entrou, foi tentar um drible próximo à bandeira de escanteio, se atrapalhou todo, pisou em falso e sentiu a lesão. Num primeiro momento até achei que era migué pra disfarçar o papelão que tinha feito, mas pediu pra sair e deu lugar a Carlos Eduardo, que quase fez o seu.
Entraram também Hernanes e os atacantes Diego Tardelli e André. Nada demais.
Mano Menezes teve uma ótima estréia. Disse que o time iria jogar com alegria, velocidade e atacando. O time fez tudo isso e mais, não correu riscos defensivos. Fez 2 a 0, meteu 4 ou 5 na trave e parecia estar jogando contra o time junior dos Estados Unidos. Vai dormir tranqüilo e pensando no próximo amistoso.

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